Sem voltar ao ponto de partida de ontem - a manhã,
comecei pelo ponto de partida de hoje - a manhã.
Dei uma volta completa entre a manhã de ontem
e a manhã de hoje. No entanto elas não se tocaram,
afastando-se a de hoje em mais uma volta,
para se sobrepor aqui amanhã. E assim sucessivamente.
Desde que nascemos até que morremos,
como que percorremos uma espiral
que começou num ponto e vai, no fim,
acabar noutro bem mais adiante.
Quando a espiral acaba, caímos no abismo
onde a espiral começou: uns chamam-lhe nada,
outros chamam-lhe poeira.
Pode ainda imaginar-se a espiral
para tudo o que na vida de cada um
começa uma vez e acaba de outra vez
encontrando-se, por fim, no nada ou no pó,
onde tudo se renova noutras formas de começo:
um outro amor, uma outra idade, um outro sentir.
5 comentários:
outros, ainda, chamam-lhe - originalmente - mudança de temperatura. :-)
mas como diria woody allen:
- até lá vale a pena ir comendo uns bifes.
acrescento eu:
até que possamos claro
Diz-me uma coisa: que te deu?
Será pelo aproximar da lua cheia?
Vou aproveitar parte para ilustrar um filme no meu blog.
Não vou repetir elogios.
o poema é muito bonito. de quem é?
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