Domingo, 5 de Julho de 2009

Veios


Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Invisível

Há um ente qualquer que se agarra
a morder-me os joelhos e não os larga
e mesmo que eu sacuda o ar
só quando eu solto uns ais se vai;
de certeza que é um feiticeiro, que és tu:
- Olha, hás-de morder-mos mais vezes!

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Ferir

Fazer-te doer seria ferir-me
e só e unicamente me feriria
para não te fazer doer.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

O de agora.

Não sei se vocês sabem, mas isto eu fui sabendo e agora sei: os melhores romances não são os que lemos ou vemos nos cinemas ou que imaginamos escrever um dia. Os melhores são os que vivemos. E o de agora, porque ninguém anda para trás, é deles o mais lindo de todos.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Selecção do Brasil

Gostava que quem vem ao amor de perdição lesse e reparasse na selecção que foi feita: os dois primeiros e os dois últimos escritos. Porque eu ia desfalecendo.
:)))

Cordão

Há uma coisa que se chama cordão,
um cordão que não tem pontas,
e existe entre muitas duas coisas do mundo
e balança-se sobre ele a vontade,
uma coisa que se chama vontade,
que se balança
por ora ser cola, ora ser tesoura.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Sobre o nome

Seria incapaz de mudar o nome do meu blog para "amor de presunção"; seja lá o que for que "presunção" possa significar.
Gosto pouco de tretas! Lá por me fazerem ver que existem, não quer dizer que eu as veja!

Domingo, 28 de Junho de 2009

Questão

Muitas vezes, dantes, encontrávamo-nos em casa,
agora só nos encontramos na rua:
uma questão de paredes ou de tecto?

Ondas

video

Música: daqui.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Como dantes

video

Música: daqui.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Dois nós


Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Janela

Até era uma boa ideia ir agora à janela
mas sei o que vou ver,
a casa fechada do vizinho e carros a passar,
porque não me apetece ver mais nada,
por isso não vou à janela.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

r/c Esq.

Se o meu coração
andasse num elevador
hoje não tinha passado
do rés-do-chão.
Mas não anda:
só pesou para baixo.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

O farol

Preciso de saber e fico-me ouvi-lo:
- Há uns tempos estive sem poder levantar o braço por levar com o farol.
O braço que dobrava ia bem, que o mexia para baixo e para cima.
- Agora ando mal do ouvido, ando a levar com o farol no ouvido. Dão-me umas pontadas e depois fica inchado e a doer a toda volta.
Eu sem ver nada, apesar de ser suposto um farol iluminar:
- Que farol?
- Uma luz que eles têm com tudo, com laser, com mira, própria para apontar para os sítios que eles querem, mas que não se vê.
Muita tecnologia, sim senhor, mas ainda insuficiente para me acertar:
- Eles quem?
- Os meus vizinhos.
E enquanto levo eu com farol:
- É gente capaz de tudo. E se não são eles dão-no aos filhos e andam eles a apontar e a atirar em mim.

Respirar no Verão

A noite foi pequena
e os meus pulmões ensonados
não acordaram.
Atravessei o dia
a respirar pela pele de água
a sede de mais horas,
mais longas e mais quentes,
que por serem tuas e de Verão
são breves e as melhores do ano;
já nem queria voltar a respirar como antes.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Desassossego

Mesmo sendo só algumas,
em revoada,
não as conseguimos contar,
às moscas.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Se sei?

Perguntas-me se sei;
não, nunca sei as surpresas que fazes
com tudo o que é lindo e me trazes
mas sei que quero
que me perguntes sempre,
sabes?

Domingo, 14 de Junho de 2009

Tal como te digo

Um dia suspenso no ar brumoso
de nuvens paradas;
elas são o tecto emaranhado
do que não se decide.
Tenho que te dizer o que hás-de fazer:
fica, sim, arrasta todas as demoras;
desce sobre mim, fica entre mim;
entre ti, duvida de mim;
faz, não te enganes.

Sábado, 13 de Junho de 2009

Turvados

O dia não foi simples o suficiente
para o meu discernimento,
não vem aqui (ao blog) fazer nada;
nem eu; não sabemos, não podemos,
e está na hora de dormirmos os dois
com a noite, ela entende-nos.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

O que se passa

Passo por dias de inércia:
não há um estalar de dedos à minha frente,
nem com o polegar e o médio
eu dou um estalinho.
Daí a quietude.
Normal anda tudo,
como dantes.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

...

...

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Insuportável

Que raiva, estes fins de dia em que se não for eu a escrever uma coisa gira, não a leio!

(o título devia ser "Inspiradíssima", mas depois ficava aqui e não ia espreitar outros, mais, blogs!)

Domingo, 7 de Junho de 2009

Um voto a valer

Estou com vontade
de fazer um voto ao amor:
que nos pareça sempre
que está hoje a começar.

Camelo

Uma das coisas que me irrita,
além de quase todas, claro,
é o nesta terra não haver comboios.
É horrível, ao ponto de me tirar o sono,
o ter me que me ir deitar
sem ter atirado nada para debaixo dum comboio.
Três da manhã. E eu aqui a julgar que sim!

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Importâncias

Fico parva quando dizem que a minha gata é feia.
Da primeira vez que mo disseram,
acreditei que só podiam estar a provocar-me.
Tempos depois, pus o meu credo em dúvida.
Mas as dúvidas não são importantes
quando ela azul e ruça , me olha, ronrona,
se alisa nas minhas pernas e fica perto.
Se trepa, quer colo, e me enche de pêlos,
as certezas, aí sim, são importantes!

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Piscar

Nunca me interessei pela luz ao fundo do túnel, por uma, essa, luz.
A razão? Pois, estou agora a deslindá-la.
Por uma luz ser só uma, e não haver por onde escolher?
Por cegar? E para estar sem nada ver, fico no túnel?
Na verdade, nunca estive em nenhum túnel.
Há sempre uma luzitas por aí, nem que seja das que piscam.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Abananada

Falamos, falamos, como se não déssemos por nada,
mas o tempo sacode-nos tanto como aos ramos das árvores.
E se fosse só o tempo! Digo: se fosse só esse tempo!
Nós somos aqueles a quem o tempo de cada um dos outros agita,
bate, abala, atira, abana, e abanana!
É no que dá desviarmo-nos do cimo do norte de África:
penosas conversas destas. Desviar-me, eu, digo.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Vi



O momento: o tempo, o lugar, a mão, e a máquina, foram parar ao Tempo Contado.
Vi e desviei para aqui. Desta vez não foi imaginar, foi ver!
Há lá muitos e outros mais do que os assinalados.

Sábado, 30 de Maio de 2009

Apressadices

Como temos que passar por aqui
por ali e por acolá,
vamos instalando semáforos
ao longo do caminho.
Chegar é ver a luz ficar logo verde,
e mesmo sem pressa não podemos parar,
pois andar é como ter pressa.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Para trás

Às vezes parece que chegou o tempo de mudar de sonho
e de tocarmos em mãos que já são outras mãos,
de sermos apertados em abraços de outros braços
e de outra boca se amolecer em beijos na nossa boca.
Às vezes parece que esse tempo já devia ter chegado
e que só demora porque as mudanças são demoradas,
inutilmente vagarosas:
por irmos em frente sem deixarmos de olhar para trás.

Pés no chão

Há uma pessoa que pensa que quando chega a altura de mudar de sapatos se vai descalço buscar outros. Mas não faz muito sentido que assim seja: por causa dos pés no chão.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Muro

Um muro é o exemplo do que se levanta, do que se deita, e do que não cresce. Não consigo decidir-me sobre se os muros haviam de ser mais altos ou mais baixos. Ou se havemos de querer estar do lado de lá ou do lado de cá.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Assim

Encontrar-te, de dia,
nos intervalos dos meus pesadelos
e chegar-me a ti,
é sonhar contigo.
Estares, à noite,
para eu dormir longe, longe,
até de manhã,
é ter-te.

Domingo, 24 de Maio de 2009

Empatar

Se a esperança quando morre,
fosse como com os reis:
rei morto, rei posto,
não sabíamos o que era
tempo perdido.
Mas sabemo-lo bem.

Mulheres


Sábado, 23 de Maio de 2009

Seres

Quando as avezinhas do paraíso falam de penas
ou quando os peixinhos dos corais falam de escamas
até me parece que falar eu de pêlos
é uma parvoíce básica. E fico a ouvir.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Águas

video

Rio Mongedo e outras águas.

Música: Nice Eyes. Daqui.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

És-me

És fumo a encaracolar-se
em luz e oiro:
fazes-te e és
e fico sem poder pestanejar
quanto mais respirar,
perto de ti!
Depois, quando te perdes,
já eu, há muito,
me perdi por ti.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Da janela

Da janela vejo em baixo, na rua,
o verde das copas das árvores
a faiscar de prateado
e dou-lhe o teu nome.
Que nome poderia ter
cada redemoinho de vento
à volta de cada folha
se todos juntos
chamaram por mim
para eu olhar e te ver?

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Acto II

É tudo muito simples
basta esperar pelo dia certo.
Tempo passado,
quando já se pode falar desse dia,
continua tudo muito simples:
esse dia chegou.
Diante do novo cenário
ou estamos os dois,
e há Acto II
ou, por um de nós não estar,
não há Acto II.